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ITO PEDRAGRANDE
Ito Pedragrande é o nome artístico de Hailton Correa Lima, um escritor e poeta brasileiro graduado em Letras pela UEG.
Desde 2022, publica sob este pseudônimo, sendo autor de obras como "Aluir a Palha, Ruir a Pilha" (contos) e "Senda Incomum" (poemas), com conteúdo disponível em plataformas como o Pensador e no Facebook.
Aqui estão alguns detalhes adicionais sobre o autor:
Nome Real: Hailton Correa Lima.
Formação: Graduado em Letras (Inglês/Português e Literaturas) pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), Câmpus Inhumas.
Atuação: Escritor de contos e poemas.
ANTOLOGIA SELVAGEM: UM BESTIÁRIO DA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA/ Alexandre Bonafim, Claudio Daniel e Fábio Júlio (org.) - Franca, SP: Cavalo Azul, 2025. 372 p. ISBN 978-65-83644-11-4
Exemplar da biblioteca de SALOMÃO SOUSA.
Serpentário
Arrasto-me segurando a mão de Cleópatra.
Vagarosamente voo entre pedras e torrões,
Em nome de Eva, Helena, Maria Bonita e Yoko.
Do Nilo ao Meia Ponte, chicoteando em vaivéns.
Passando por labirintos de ruas com nomes ilegíveis,
Acima das sobras, dos lixos nos quintais do mundo.
Arrasto-me pelos tempos das brumas aniladas,
Arrasto-me fria, deixando peles pelas esquinas,
Sobre moitas espinhosas, asfaltos quentes
E empoeiradas estradas, entre rastros ancestrais.
Arrasto-me ferida sob olhares desconfiados e repulsivos,
Entre faiscados arbustos, chumaços de cabelo, cajados.
Arrasto-me em sono profundo de noites quase eternas.
Por entre múltiplas interjeições, infindáveis palavrões,
Arrasto-me serena, como serenamente nunca me olham. Arrasto-me nos esgotos da humanidade,
Nas enxurradas da humana idade.
Entre Odisseus e Macunaímas, Sátiros e Curupiras.
Arrasto-me entre gotejares se jorrares, entre a fonte e a seca,
Covas e berçários, entre a fome e o desperdício prossigo.
Meu arrastar dá ordem a desordenados lamentos,
Não me entendem, mas me arrasto e me arrasto...
Fosse eu um pássaro, a gaiola estaria me aguardando.
Fosse eu um peixe, o anzol estaria já iscado.
Fosse eu um homem, só ilusão e desgosto.
Não sou nenhum desses. Sou o que não se percebe.
Fora do meio, longe do miolo, corrompo a seleção natural.
Não preciso de casa, não preciso de emprego,
Não preciso esquecer nem lembrar de nada.
Rir? Também não. Muito menos chorar.
Chorar? Nem mesmo pelo seu coração esnobe.
Um ingrato e perigoso coração
Que por pouco não me envenenou.
Arrasto-me.
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Página publicada em março de 2026.
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